O corpo normalmente vive numa atmosfera que tem cerca de um quinto de oxigênio e quatro quintos de nitrogênio. Em algumas situações médicas é benéfico aumentar a proporção de oxigênio a fim de prover mais oxigênio para os tecidos. Tendas de oxigênio são freqüentemente usadas para este propósito. Para aumentar bastante a quantidade de oxigênio, os engenheiros médicos construíram câmaras especiais de oxigênio de alta pressão (hiperbárica). Algumas destas câmaras são grandes o suficiente para caber um paciente, enquanto outras são tão grandes que servem como sala de cirurgia.
Gangrena gasosa é uma doença que matava mais da metade de suas vítimas antes que a terapia com oxigênio hiperbárico (HOT) fosse desenvolvida. Como o bacilo que causa a gangrena gasosa não pode sobreviver na presença do oxigênio, quase todos os pacientes de gangrena gasosa tratados com HOT são curados sem a necessidade de amputação – o melhor método anterior de tratamento.
No envenenamento por monóxido de carbono, os glóbulos vermelhos não podem carregar oxigênio para os tecidos, pois o monóxido de carbono se fixa à hemoglobina nos lugares normalmente usados pelo oxigênio. Mesmo a presença de poucas moléculas de monóxido de carbono em um glóbulo vermelho reduz grandemente a habilidade da célula em transportar oxigênio. Normalmente, a quantidade de oxigênio dissolvida no sangue é cerca de 2% daquela levada pelos glóbulos vermelhos. Com o HOT, a pressão parcial do oxigênio pode ser aumentada por um fator de 15, permitindo a dissolução de bastante oxigênio para preencher as necessidades do corpo. Muitas vítimas do envenenamento por monóxido de carbono são salvas com esta técnica.
Oxigênio hiperbárico tem sido usado em conjunção com radiação no tratamento do câncer. O paciente é colocado dentro de um tanque plástico transparente, e a radiação dirigida através das paredes para o tumor. A teoria se baseia na hipótese de que a presença de mais oxigênio tornaria as células fracamente oxigenadas no centro do tumor, e portanto mais resistentes às radiações, mais susceptíveis aos danos da radiação. Esta técnica, que funcionou bem nos laboratórios, em células e em ratos, não produziu resultados notadamente melhores do que as técnicas presentes para os humanos.
O uso de oxigênio pressurizado em até 3 atm requer atendimento constante do médico e dos(as) enfermeiros(as). Os tímpanos dos pacientes neste tipo de tratamento são intencionalmente furados para ajudar no processo de equalização das pressões. Todo o processo dura em torno de 1 h, enquanto que tratamentos convencionais levam cerca de 10 min.
Como muitos desenvolvimentos da medicina, a terapia com oxigênio hiperbárico trouxe novos problemas. A atmosfera rica em oxigênio aumenta o risco de incêndio – três astronautas morreram numa atmosfera de oxigênio puro em uma espaçonave americana durante testes preliminares em 1967. Outro problema é o risco de ruptura do tanque devido às altas pressões utilizadas. Pelo menos um caso de tal ruptura foi relatado, ferindo seriamente paciente e médico.
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Texto extraído e adaptado do livro:
CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York: John Wiley & Sons, 1978.