O trato digestivo é uma abertura bem tortuosa(vídeo) que se estende através do corpo, possuindo mais de seis metros da boca até o ânus.
Durante a maior parte do tempo, esta abertura se encontra fechada na extremidade inferior, apresentando várias outras restrições. A Figura 1 mostra esquematicamente as válvulas e esfíncteres (músculos circulares) do trato digestivo, que se abrem para a passagem da comida, bebida e seus subprodutos. As válvulas são projetadas para permitirem um fluxo unidirecional da comida. Com algum esforço é possível reverter o fluxo, tal como durante o vômito (náusea).
FIGURA 1

Figura 1: As válvulas e esfíncter do trato intestinal. Fonte: CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978, p.109.
A pressão é maior que a atmosférica na maior parte do sistema gastrointestinal (GI). Entretanto, no esôfago, a pressão está acoplada à pressão entre os pulmões e a parede do peito (pressão intratorácica) e é usualmente menor que a atmosférica. A pressão intratorácica é algumas vezes determinada medindo-se a pressão no esôfago.
Durante a alimentação, a pressão no estômago aumenta quando as suas paredes são esticadas. Entretanto, como o volume aumenta com o cubo do raio (R³) e a tensão (força de estiramento) é proporcional a R, esse aumento na pressão é muito lento. Um aumento mais significativo na pressão é devido ao ar engolido durante a refeição. Ar preso no estômago, frequentemente visível num raio-X do peito, causa arroto ou vômito. No intestino, o gás (flato) gerado pela ação de bactérias aumenta a pressão no órgão. Fatores externos tais como a utilização de cintos ou faixas, e atividades como voar e nadar também afetam a pressão no intestino.
.Faça uma pesquisa sobre alimentos que possam gerar excesso de gases no intestino.
Uma válvula, o piloro, evita que o fluxo de sangue retorne do intestino delgado para o estômago. Ocasionalmente, um bloqueio se forma no intestino delgado ou grosso, e uma pressão é produzida entre esse bloqueio e o piloro; se esta pressão torna-se suficientemente grande para restringir o fluxo sangüíneo aos órgãos críticos, ela pode causar a morte.
Intubação, ou seja, a passagem de um tubo oco através do nariz, estômago e piloro, é geralmente usada para liberar essa pressão. Se a intubação não funcionar, é necessário liberar a pressão cirurgicamente. Entretanto, a pressão alta aumenta grandemente o risco de infecção, porque os gases presos expandem rapidamente quando a incisão é feita. Este risco pode ser reduzido se a cirurgia for realizada em uma sala de operação em que a pressão externa é maior que a pressão no intestino.
A pressão no sistema digestivo está acoplada aquela dos pulmões, através do diafragma flexível que separa os dois sistemas de órgãos. Quando é necessário ou desejável aumentar a pressão no intestino, tal como durante a defecção, uma pessoa faz uma respiração profunda, prende os pulmões na glote (cordas vocais) e contrai os músculos abdominais.
Texto extraído e adaptado do livro:
CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York: John Wiley & Sons, 1978.