O índice de doenças pulmonares apresenta um percentual significativo na população. Do ponto de vista da Física, muitas doenças podem ser entendidas como variações físicas que os pulmões podem apresentar. Porém, não devemos considerar que um físico seja o profissional mais adequado para sugerir um tratamento adequado. Vamos discutir nesse tópico, apenas alguns aspectos físicos de algumas doenças pulmonares.
Em repouso, somente uma pequena fração da capacidade dos pulmões é usada. Assim, uma doença pulmonar que reduz a capacidade respiratória, freqüentemente não produz sintomas perceptíveis nos seus estágios iniciais. O problema ocorre se os sintomas são percebidos apenas quando a doença estiver em um estágio avançado. Testes simples para detectar variações no sistema respiratório devem ser incluídos em exames de rotina.
Enfisema:
No enfisema, as divisões entre os alvéolos se rompem, produzindo espaços pulmonares maiores. Esta destruição dos tecidos dos pulmões reduz a elasticidade pulmonar. Os pulmões tornam-se mais complacentes – ou seja, uma pequena variação na pressão, produz uma variação maior do que o normal no volume. Enquanto à primeira vista isto parece tornar mais fácil a respiração, na verdade ocorre o contrário. É necessário um trabalho da respiração mais intenso para superar a resistência das vias aéreas à passagem de ar. Pois, no enfisema a resistência das vias aéreas aumenta significativamente.
FIGURA 1

Figura 12(a) e (b). Fonte: Medical Physics, p.149.
Figura 1. (a) e (b). M odelos de primavera (a) um pulmão normal e (b) um pulmão com enfisema grave. Note o número reduzido e a resistência das molas no modelo de enfisema. A expansão resultante da parede torácica e estreitamento das vias aéreas principais causam um aumento na resistência das vias aéreas . Fonte: CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978, p.149.
A figura 1 ajudará você entender a física do enfisema. Você pode pensar na elasticidade dos tecidos do pulmão normal como milhões de pequenas molas interconectadas (Fig. 15(a). Estas “molas” tendem a murcharem os pulmões e produzirem a força que puxa a parede do peito. Também existem forças para puxar as paredes das vias aéreas, e são estas forças que mantém as vias aéreas abertas e ajudam a reduzir a resistência durante a expiração.
A situação no enfisema severo é mostrada na figura 1b. O número de “molas” trabalhando foi reduzido drasticamente, e aquelas presentes são muito mais fracas do que o normal. Isto produz duas importantes variações:
1- O pulmão torna-se frouxo e expande com uma tensão reduzida, permitindo a parede do peito expandir quase para o volume de repouso da parede do peito sem o pulmão – cerca de 60% da capacidade vital (figura b);
2- os tecidos não puxam as vias aéreas com força suficiente, permitindo que essas vias aéreas estreitadas, colapsem facilmente durante a expiração. O uso intenso do cigarro contribui de forma decisiva para intensificar a probabilidade desse tipo de doença.
Este aumento na resistência das vias aéreas é o principal sintoma de enfisema severo. O aumento do tamanho dos pulmões aumenta a frequência respiratória cardíaca e o volume residual. O peito é super inflado e a postura é afetada: alguém com essa doença parece peitudo. Uma pessoa que tem enfisema é incapaz de apagar uma vela com o sopro, dessa forma, é simples testar se a pessoa apresenta a doença. O enfisema ocorre ocasionalmente em pessoas não fumantes, porém o aumento de casos tem sido observado principalmente entre os fumantes.
Fibrose dos Pulmões:
Na fibrose dos pulmões as membranas entre os alvéolos engrossam. Isto tem dois efeitos marcantes:
1- a complacência dos pulmões decresce;
2- a difusão de oxigênio nos capilares pulmonares diminui.
A resistência expiratória é essencialmente normal. Uma pessoa com a doença terá dores e dificuldade respiratória (dispnéia) ou deficiência de respiração durante exercícios. Fibrose dos pulmões pode ocorrer se os pulmões tiverem sido irradiados (p.ex, no tratamento do câncer), embora esta não seja a única causa.
SAIBA MAIS SOBRE FIBROSE PULMONAR
(DOENÇA INTERSTICIAL PULMONAR)
Fibrose pulmonar é a substituição do tecido pulmonar normal por um tecido cicatricial. É causada, na maioria das vezes, pelas Doenças Intersticiais Pulmonares (DIP). Neste grupo estão incluídas algumas dezenas de doenças que têm em comum o fato de causarem inflamação na parte terminal dos pulmões (alvéolos), levando a progressiva cicatrização e fibrose pulmonar. As doenças intersticiais caracterizam-se por serem crônicas e de evolução lenta, tendo dois sintomas principais: falta de ar progressiva e tosse seca.
As principais causas de DIP são: inalação de poeiras inorgânicas ou pneumoconioses (silica, asbestos), poeiras orgânicas ou pneumonia de hipersensibilidade (criadores de aves, mofo, sauna, ar-condicionado), drogas (quimioterápicos, amiodarona, cocaína), doenças reumáticas e doenças pulmonares de origem desconhecida (sarcoidose, bronquiolite, fibrose pulmonar idiopática).
O diagnóstico é baseado na história clínica (principalmente em casos de exposições ambientais e profissionais), nas alterações tomográficas e, eventualmente, no estudo das células ou do tecido alveolar (lavado broncoalveolar e biópsia pulmonar).
. Sugestão de trabalho: Peça aos alunos para prepararem um mini-seminário sobre um dos artigo acima.
Textos extraídos e adaptados dos livros:
CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978.
GUYTON, A.C., HALL, J.E Tratado De Fisiologia Médica 9. Ed. Rj . Guanabara Koogan, 1997 .