Apesar de o movimento pulmonar existir durante toda uma vida, a quantidade de trabalho realizado na respiração é apenas uma pequena fração da energia total consumida pelo corpo (~ 2% no repouso). Podemos considerar que o principal trabalho da respiração é o trabalho feito no alongamento das molas representando o sistema pulmão-parede do peito-diafragma, mostrado na figura 1a, que é proporcional à área hachurada na figura 1b; entretanto, isto é uma super simplificação do trabalho da respiração. A resistência dos tecidos e a resistência do fluxo de gás produz calor; este pode ser representado como um freio (R). Quando expiramos o ar rapidamente ele sai mais quente do que o normal.
Em resumo, o trabalho se dá de três maneiras:
1- Trabalho de complacência ou trabalho elástico que significa: trabalho realizado para expandir os pulmões contra suas forças elásticas.
2- Trabalho de resistência tecidual que significa: superar a viscosidade do pulmão e das estruturas da parede torácica.
3- Trabalho de resistência das vias aéreas que significa: superar a resistência das vias aéreas durante o movimento de ar nos pulmões.
O trabalho da respiração está mostrado pela área sombreada total na figura 1b. A área sombreada mais escura representa o trabalho contra a mola e a área mais clara representa o trabalho contra a resistência à passagem de ar pelas vias aéreas.
FIGURA 1

Figura 1: (a) o trabalho ocorre durante a inspiração e (b). e as “molas” fazem o trabalho para expelir o ar Fonte: CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York: John Wiley & Sons, 1978, p.147.
Durante a respiração normal, nenhum trabalho é feito durante a expiração; os músculos relaxam e as "molas" fazem o trabalho para expelir o ar, dissipando a energia gerada na resistência das vias respiratórias. Durante exercícios vigorosos, os músculos do tórax são usados para expelir o ar, e o trabalho da respiração pode aumentar em até 25% o consumo de energia total do corpo.
A respiração rápida e rasa e a respiração profunda e lenta são ambas menos eficientes do que o fluxo normal de ar. A maioria dos animais ajustam seus fluxos de respiração no repouso ao uso mínimo de potência. Em baixas razões de respiração, a maioria do trabalho é feita contra as forças elásticas do pulmão e peito (área mais escura na figura 2b); já nas razões de respiração rápida, o trabalho contra as forças resistivas (área mais clara na figura 2b) aumenta.
FIGURA 2

Figura 2: (a) e (b).Fonte: CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978, P.147.
FIGURA 3

Figura 3. O gráfico representa a taxa de consumo de oxigênio em Litros / minuto em um sujeito com Enfisema e um sujeito sem a doença. Fonte: CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978, P.148.
A figura 3 mostra uma curva para um sujeito normal e a curva para um paciente com um severo enfisema. O último ultiliza mais O2 no trabalho de respiração a um taxa mais rápida daquela fornecida pelo seu aumento de ventilação; assim, a quantidade de O2 na circulação geral sofre redução.
Outro modo de determinar o trabalho feito na respiração é medir o consumo extra de O2 , quando a razão da respiração é aumentada sob condições de repouso. A quantidade de O2 consumido está diretamente relacionada às calorias dos alimentos “queimados”. Assume-se que o O2 adicional seja usado nos músculos respiratórios.
Textos extraídos e adptados dos livros:
CAMERON, J., SKOFRONICK, J.G. Medical physics. New York : John Wiley & Sons, 1978.
GUYTON, A.C., HALL, J.E Tratado De Fisiologia Médica 9. Ed. Rj . Guanabara Koogan, 1997